As línguas ibéricas são as únicas que diferenciam a existência temporalmente: aquilo que 'é', e aquilo que 'está'.
Ora, há uma razão existencialista dicotômica para isso?
Qual a riqueza comunicativa (tornar comum) implícita nisso?
Traduzir é sempre um artifício, porém é sempre verossímil, pois a adaptação da palavra a um outro idioma é uma busca por características que, fortuitamente, seriam analógicas.
Portugal e Espanha têm, claramente, influências de línguas semíticas, graças aos mouros e judeus que se fixaram por lá a partir do século V. Pois bem, o hebraico não necessita de verbo de ligação; e a diferença temporal se dá por uma 'ação completa': passado; e 'ação incompleta': futuro. De qualquer forma, a palavra "hayah", em hebraico, pode significar desde: ser, ocorrer, acontecer... outra característica do hebraico é o não uso da primeira pessoa, preferencialmente, por razões religiosas, afinal, dizer algo na primeira pessoa implica em uma negação do determinismo, da vontade de DEUS...
Mas se 'acontecer', em hebraico, equilave ao ser, aí sim, entendemos a idéia de eternidade, o religioso, aquilo que 'acontece' é... intrisecamente, a vida. E o verbo se torna prescindível a uma língua que vê, na ação, a própria vida. O espanhol tem sons típicos de línguas semíticas, e o uso do artigo definido 'Al' árabe, é sempre usado tal qual em espanhol, com o sujeito: "El hombre" (sobretudo, para alcunha) o que não ocorre com o português, que parece ter receio de definir o sujeito; mas o fato de definir é místico, é ontológico?
Não seria a definição um pessimismo, que afirma uma possível não existência?
Por que dizemos que "alguém está morto", em vez de "é morto"?
Ora, dizer que estou doente, dá a entender que vai passar, não é eterno; dizer que sou doente, significa que é para sempre. Novamente, a visão mística estaria aqui: Morrer é um estado, seja por seu lado de decomposição naturalista, seja pelo espiritual. E alma seria eterna, o parmenídico que procura 'ser', o fixo...
Enquanto o "estar" seria o 'devir', o transitório, tudo é impossível de ser, apenas se está!
Portanto, as línguas ibéricas são dicotômicas, consideram Parmênides e Heráclito, porém há regras gramaticais que se confundem com o respeito ao sagrado.
Dizer que se 'é', além do valor retórico, pode revelar a esperança do homem, através da comunicação, de que haja, em algum lugar cósmico, no qual a vida prescinda da passividade em relação ao tempo.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
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