sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Amor às palavras

Letra é átomo: indivisível do pensamento
vogal em voga,
sílaba é um conluio
palavra, sozinha, é hermética!
frase: religião sem pecados!
Sintaxe em casa, Deus maniqueísta!
do termo menor ao maior
diz-me, sem meias palavras!
Por ouvir de tua voz todos os sons!
Ecoando pelas ecolalias pueris;
entre folhas já envelhecidas,
a tinta do significado enfeita Babel;
Entre um jazigo e um zigurate,
O baú do conhecimento balsâmico,
em teu rosto, figura-te.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ser e estar

As línguas ibéricas são as únicas que diferenciam a existência temporalmente: aquilo que 'é', e aquilo que 'está'.
Ora, há uma razão existencialista dicotômica para isso?
Qual a riqueza comunicativa (tornar comum) implícita nisso?
Traduzir é sempre um artifício, porém é sempre verossímil, pois a adaptação da palavra a um outro idioma é uma busca por características que, fortuitamente, seriam analógicas.
Portugal e Espanha têm, claramente, influências de línguas semíticas, graças aos mouros e judeus que se fixaram por lá a partir do século V. Pois bem, o hebraico não necessita de verbo de ligação; e a diferença temporal se dá por uma 'ação completa': passado; e 'ação incompleta': futuro. De qualquer forma, a palavra "hayah", em hebraico, pode significar desde: ser, ocorrer, acontecer... outra característica do hebraico é o não uso da primeira pessoa, preferencialmente, por razões religiosas, afinal, dizer algo na primeira pessoa implica em uma negação do determinismo, da vontade de DEUS...
Mas se 'acontecer', em hebraico, equilave ao ser, aí sim, entendemos a idéia de eternidade, o religioso, aquilo que 'acontece' é... intrisecamente, a vida. E o verbo se torna prescindível a uma língua que vê, na ação, a própria vida. O espanhol tem sons típicos de línguas semíticas, e o uso do artigo definido 'Al' árabe, é sempre usado tal qual em espanhol, com o sujeito: "El hombre" (sobretudo, para alcunha) o que não ocorre com o português, que parece ter receio de definir o sujeito; mas o fato de definir é místico, é ontológico?
Não seria a definição um pessimismo, que afirma uma possível não existência?
Por que dizemos que "alguém está morto", em vez de "é morto"?
Ora, dizer que estou doente, dá a entender que vai passar, não é eterno; dizer que sou doente, significa que é para sempre. Novamente, a visão mística estaria aqui: Morrer é um estado, seja por seu lado de decomposição naturalista, seja pelo espiritual. E alma seria eterna, o parmenídico que procura 'ser', o fixo...
Enquanto o "estar" seria o 'devir', o transitório, tudo é impossível de ser, apenas se está!
Portanto, as línguas ibéricas são dicotômicas, consideram Parmênides e Heráclito, porém há regras gramaticais que se confundem com o respeito ao sagrado.
Dizer que se 'é', além do valor retórico, pode revelar a esperança do homem, através da comunicação, de que haja, em algum lugar cósmico, no qual a vida prescinda da passividade em relação ao tempo.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Poema da ingenuidade


Esse é um poema ingênuo,
esse é um poema suave;
Não há letra que o salve;
Não há sofista que o engendre,
Feito, para ser o que se diz:
Seja 'naïf''!
Palavras não geram Jerusalém.
-Os que lêem suave,
voariam para a ingenuidade,
que só as aves têm?
-Não, ao andar por esta ansiosa cidade;
na qual a tarde se vai sem adeus.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Poema existencialista

Pensei em alguma coisa que fosse bela:
o amor era uma idéia filosófica,
e a morte era mote de pessimista;
Lembrar-se é se esquecer da física;
Se o espelho fosse, ao menos, uma centelha da realidade;
Se a verdade fosse, por fim, espelho de nossa vaidade,
que vai, velozmente, a algum lugar parnasiano?
Pensei em alguma coisa que não fosse sobre
essa estética estática:
o amor era uma idéia catastrófica,
metafísica era um jogo sem cartas;
não precisamos rabiscar idéias sobre a alma?
precisamos bater palmas para morte?
Devemos parar de pensar na existência!
É melhor existir em pensamento...
Pensei em alguma coisa que não fosse pensar:
Certeza do ser?!