terça-feira, 20 de setembro de 2011

Agora: Agonia

Agora...

Selva do céu;

amor pantanoso,


 dor de seres aquilo que és;


 sonetos insanos;

que sangraram altas pedras;

Pedras de sal;  saudade...

 de nada;

 Sem sombra, nem alma, agora,
 Invídia de Ovídio; e agonia,
agora...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Sinônimo de Antônimo

Quando teu Sim é Não,  e meu entesar é duvidoso;
 E a certeza tem fórmula-química-quimérica,
Por ver o porvir que poder-se-ia ver sempre,
todo o sertão da certeza que aguça a sede do mar;
todo o sal das ondas a adoçar a terra do céu,
A  ti, a atmosfera se fere em camadas de vácuo;
A ti, ofereço-te lírios delirantes como teus lábios,
que dão vida às palavras silenciosas de estardalhaço;
Por estar tesa como aço que se derrete com a brisa;
como a comparação mais sui generis da vida,
um Eclesiastes extasiado de toda impotência;
Quando teu não é Sim,  em vão, se evanesce o amor;
Sinto-me longe de mim, sem desejo de retornar.

quinta-feira, 10 de março de 2011

A dor dácia ( Dedicado aos poetas Lucian Blaga e Eminescu)

Em tua língua, saudade é 'dor',
em minha língua, a saudade dói,
"A dor que deveras sinto"
em todas as Pessoas do singular;
Eu sinto, lusitanamente: Saudade;
Lembra-te das rosas breves,
tua terra eminente de Eminescu;
as flores de azuis doce e triste.
as lágrimas a pensar que,
como rios, podem navegar,
por nossa pálida face, assim,
porque se enclausurou aqui,
na claritude das lembranças,
que balançam à noite longa;
O Amor de Lucian Blaga;
'Iubire', beligerante beleza,
Dá-se ao tempo chance,
Dá-se a dor nostálgica
de tua língua dácia,
em que saudade é dor.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ao amigo: Codax

Em português, tudo se compara ao mar;
Qualquer porta poética leva-nos p´ra longe do rés,
Pois o mar é como uma metáfora fluida
aonde vai a onda do pensamento,
Os corpos, como naus do espírito-livre,
navegam, para que se vejam as velas,
que, sendo de outra escuna fria,
não podem queimar a cera incerta,
à deriva do devir, nas marés dos destinos,
a lua ressaca a vida para as profundezas do mar.
Como é ofuscante a sua alegoria do infinito
sempre transbordante de sentidos!
Em português tudo se compara ao mar,
" Ai ondas que eu vin veer (...)
Ai ondas que eu vin mirar..."