terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cadafalso

Oh, veneno entorpecente-delirante,
que, diante deste, que o sente torpe,
mordaz é o amor que me dás!
alimento minha mente em gotas,
meu peito em dores de silêncio,
faço-me romântico e gótico,
por te gostar mais que o ar puro,
que, com apuro, refresca cada pulmão,
tua mão é um anel que envolve-me
até meus olhos perderam a retidão
das retinas e do acordar eterno;
Meu corpo é um transeunte no
cadafalso do mundo diminuto,
cada minuto tem o soar das horas,
porque somos ausência do outro,
ainda, nosso ser se serve de um
encontrar-se, sempre, sanguíneo,
do sangue pulsante do pusilânime
viver sem estar, do parecer perecer;
em que badala o assassino sinal,
o mal do espaço, que distancia o passo,
e outro passo, acalenta o sofrer,
que é o sôfrego ego da infância,
em que a espera transborda de sonhos.