terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cadafalso

Oh, veneno entorpecente-delirante,
que, diante deste, que o sente torpe,
mordaz é o amor que me dás!
alimento minha mente em gotas,
meu peito em dores de silêncio,
faço-me romântico e gótico,
por te gostar mais que o ar puro,
que, com apuro, refresca cada pulmão,
tua mão é um anel que envolve-me
até meus olhos perderam a retidão
das retinas e do acordar eterno;
Meu corpo é um transeunte no
cadafalso do mundo diminuto,
cada minuto tem o soar das horas,
porque somos ausência do outro,
ainda, nosso ser se serve de um
encontrar-se, sempre, sanguíneo,
do sangue pulsante do pusilânime
viver sem estar, do parecer perecer;
em que badala o assassino sinal,
o mal do espaço, que distancia o passo,
e outro passo, acalenta o sofrer,
que é o sôfrego ego da infância,
em que a espera transborda de sonhos.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Augusta angústia

Uma lástima, não a última;
vem-me augusta ou será o seráfico?
somente a teurgia é anabática em desgraça;
quantas sombras são mais claras e altas que o som?!
oh, jardim turvo, de flores e de curvas de um prostrado;
seu toque, cortante, não destrói, mas amadurece.
augusta angústia seja o jardineiro dessa dinamia emocional.

domingo, 11 de abril de 2010

Vapor hercúleo





Vá por mim, minha alma;
olhos que perderam pupilas;
e o semblante sem blasonar,
dores no peito, sintomas da avulsão.
uma vida sem sentido não merece ser sentida,
qual santidade iconoclasta de si mesma!
vem-me o súbito de ser amado,
através da amnésia de que não há sentido.
Se Hércules tivera a força de muitos homens,
Eu tenho a fraqueza de todos;
o rio do esquecimento é a fonte da juventude;
meu corpo, banhado de alma,
lentamente, se faz ocluso
na realidade que se evapora,
A maçã de Eva, mordida de pecado;
E meu pensamento desafia a lei da gravidade,
com a sina das sinápses de meu cérebro confuso.


quinta-feira, 11 de março de 2010

Insônia em si

Se ouve dos lugares malditos
que a rebeldia me condiciona,
se houve sentimento esquisito,
por um sem-ti que me aprisiona.

prisão do corpo indômito,
mal da alma é minh´insônia,
em mim, resta, só, o recôndito:
amor vincit omnia...